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Trama golpista: possível condenação de seis réus reacende críticas à condução do Supremo

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Trama golpista: possível condenação de seis réus reacende críticas à condução do Supremo

O julgamento que pode levar à condenação de mais seis réus envolvidos na trama golpista de 8 de janeiro representa um novo capítulo da resposta institucional do país aos ataques contra a democracia. O Supremo Tribunal Federal, ao avançar sobre esses casos, reafirma sua disposição de responsabilizar civil e criminalmente aqueles que atuaram de forma coordenada para tentar subverter o resultado eleitoral. No entanto, o ritmo e a condução desses processos continuam alimentando debates intensos sobre transparência, proporcionalidade das penas e o equilíbrio entre rigor jurídico e narrativa política.

Embora seja essencial punir quem atentou contra as instituições, a forma como o STF tem centralizado praticamente todas as etapas — investigação, denúncia, julgamento e dosimetria — cria uma situação que desafia a lógica tradicional de separação de funções dentro do sistema de Justiça. Críticos argumentam que essa concentração excessiva de poder pode comprometer a percepção de imparcialidade e fortalecer a tese de judicialização da política. Já os defensores do modelo sustentam que a gravidade e a coordenação dos ataques exigem uma resposta fora do padrão, sob pena de enfraquecer o próprio Estado de Direito.

A possível condenação dos novos réus reforça a mensagem de que o Brasil não tolerará atos golpistas, mas também evidencia a necessidade de reformar os mecanismos institucionais para evitar que episódios de exceção se tornem regra. Para que o país supere o trauma de 8 de janeiro, não basta punir; é preciso fortalecer a confiança na Justiça, garantir devido processo legal e restabelecer limites claros entre jurisdição e política. Sem esse equilíbrio, corre-se o risco de perpetuar a polarização e transformar decisões judiciais em combustível para novas disputas.

Da redação, Folha de Brasília.

Foto: Rosinei Coutinho/STF