O aumento dos casos de síndrome respiratória grave nos estados do Norte acende um alerta sanitário que, mais uma vez, evidencia a fragilidade estrutural da saúde pública na região. A combinação de clima úmido, baixa cobertura vacinal, circulação simultânea de vírus respiratórios e acesso limitado a serviços de média e alta complexidade cria um cenário perigoso para populações já vulneráveis. A alta demanda por leitos, sobretudo pediátricos, pressiona redes hospitalares que historicamente operam no limite — e que, em muitos municípios, nunca se recuperaram completamente do impacto das crises sanitárias recentes.
A situação revela também falhas de coordenação entre estados e governo federal. Apesar de alertas prévios e previsibilidade sazonal, a resposta chega tarde: campanhas de vacinação inconsistentes, fiscalização insuficiente e ausência de planejamento integrado favorecem a escalada de casos graves. Enquanto governadores pedem recursos emergenciais, especialistas apontam que o problema é estrutural — falta de vigilância epidemiológica eficiente, baixa capacidade de testagem, transporte precário e distância entre centros de referência tornam o Norte particularmente exposto à rápida disseminação de vírus respiratórios.
No plano social, a crise agrava desigualdades históricas. Comunidades ribeirinhas e municípios isolados sofrem ainda mais com a dificuldade de acesso ao atendimento, resultando em diagnóstico tardio e maior taxa de complicações. A alta de síndrome respiratória grave deveria impulsionar uma revisão urgente da estratégia de saúde regional, mas, a cada ano, repete-se o mesmo ciclo: alerta, colapso parcial e mobilização tardia. O Norte não carece apenas de recursos; carece de prioridade real. Sem planejamento contínuo, investimentos estruturantes e políticas de prevenção consistentes, a região continuará enfrentando surtos graves como parte da rotina — e não da exceção.
Da redação, Folha de Brasília.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil







