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STF corta acesso de Eduardo Bolsonaro e Ramagem a emendas sob investigação

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STF corta acesso de Eduardo Bolsonaro e Ramagem a emendas sob investigação

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal proibiu o repasse de emendas parlamentares destinadas ao deputado Eduardo Bolsonaro e ao deputado Alexandre Ramagem, ambos investigados em diferentes frentes que envolvem suspeitas de abuso de poder político, desvio de finalidade e uso irregular da estrutura pública. A medida, tomada em caráter cautelar, expõe mais uma vez o desalinho entre discurso moralizante e práticas políticas do grupo bolsonarista — e levanta questionamentos sobre o uso das emendas como instrumento de influência e barganha.

Segundo o ministro responsável, há indícios de que os recursos poderiam ser usados para consolidar bases eleitorais, financiar projetos com finalidade questionável ou até alimentar redes de apoio político em contextos sensíveis para as investigações em curso. A decisão, portanto, busca evitar que dinheiro público seja utilizado de maneira opaca ou estratégica por parlamentares que ainda precisam esclarecer seu envolvimento em esquemas investigados pela Justiça. Para críticos, o cenário evidencia uma relação promíscua entre poder político, orçamento secreto e estruturas de influência construídas à margem da transparência.

A reação dos aliados foi previsível: acusações de perseguição e ataques ao Judiciário, enquanto evitam discutir o mérito do problema — o uso de recursos públicos por parlamentares investigados. Para analistas, a decisão do STF representa um freio necessário em um ambiente onde as emendas se tornaram moeda de troca e mecanismo de autopreservação política. O episódio reforça a urgência de uma reforma profunda no modelo de distribuição orçamentária e expõe a fragilidade ética de figuras que, apesar de se apresentarem como defensores da moralidade pública, enfrentam investigações cada vez mais graves.

Da redação, Folha de Brasília

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF