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Rui Costa diz que governo priorizou a maioria, mas resultados ainda não aparecem

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Rui Costa diz que governo priorizou a maioria, mas resultados ainda não aparecem

A afirmação do ministro Rui Costa de que a agenda econômica e social do governo priorizou “a maioria” busca reforçar a narrativa de que o atual mandato tem atuado para recompor políticas públicas desmontadas nos últimos anos. No entanto, a declaração aparece em um contexto de pressões fiscais, dificuldades de articulação e limitações concretas de execução. Embora programas sociais tenham sido ampliados e áreas sensíveis, como saúde e educação, tenham recebido novos aportes, a capacidade de transformar esses investimentos em resultados duradouros ainda enfrenta gargalos estruturais. A prioridade à maioria, embora politicamente eficaz como discurso, esbarra na realidade de um orçamento engessado e de uma economia que avança em ritmo irregular.

Ao mesmo tempo, a fala de Rui Costa funciona como resposta indireta às críticas de setores que acusam o governo de privilegiar grupos específicos e de não apresentar um plano econômico robusto para enfrentar problemas históricos, como baixo crescimento e desigualdades persistentes. A defesa enfática de que as políticas priorizam a maioria tenta reposicionar o governo em meio a desgastes recentes, especialmente diante de impasses com o Congresso e da dificuldade em aprovar medidas estruturantes. Entretanto, a insistência em enfatizar realizações sem enfrentar a lentidão na entrega de resultados palpáveis pode desgastar a credibilidade do discurso.

O desafio do governo, portanto, não é apenas afirmar que prioriza a maioria, mas demonstrar isso por meio de políticas eficientes, execução qualificada e metas claras. A população avalia resultados concretos, e não apenas narrativas. A gestão ainda precisa mostrar capacidade de combinar responsabilidade fiscal com políticas sociais duradouras, reduzindo desigualdades sem comprometer a sustentabilidade das contas públicas. A fala de Rui Costa sintetiza bem o dilema do governo: entre a narrativa de inclusão e a prática de governar, existe um caminho que exige mais do que intenções — exige entrega real, coordenação e eficiência.

Da redação, Folha de Brasília.

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil