O crescimento de apenas 0,1% da economia brasileira no terceiro trimestre expõe mais uma vez a fragilidade estrutural do país. Embora tecnicamente positivo, o número está muito distante de representar uma retomada sólida. Trata-se de um crescimento que mal supera a estagnação, sustentado por setores que funcionam no limite e incapazes de gerar impacto significativo no mercado interno. O resultado, portanto, é menos um avanço e mais um sinal de alerta sobre a falta de dinamismo econômico.
A desaceleração do consumo das famílias e a retração dos investimentos produtivos reforçam esse diagnóstico preocupante. Quando o poder de compra não reage e empresas não têm confiança para investir, o país se vê preso em um ciclo de baixa produtividade e oportunidades escassas. Sem estímulo a políticas industriais, inovação ou infraestrutura, o crescimento reduzido se torna um retrato fiel das limitações que impedem o desenvolvimento sustentável.
Enquanto isso, o discurso oficial tende a celebrar números tímidos como se fossem conquistas expressivas. Mas um país que pretende reduzir desigualdades e ampliar o bem-estar social não pode se contentar com migalhas estatísticas. É urgente repensar estratégias, fortalecer a capacidade produtiva e priorizar políticas que realmente transformem a vida da população — e não apenas a narrativa econômica.
Da redação, Folha de Brasilia
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil







