Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Messias erra o cálculo político e fica isolado entre Senado e STF

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Messias erra o cálculo político e fica isolado entre Senado e STF

A atuação de Jorge Messias na crise entre o Senado e o STF foi interpretada por ministros da corte como um movimento oportunista, calculado para tirar proveito do atrito institucional. Ao contrariar Gilmar Mendes em meio à pressão por abertura de processos de impeachment, Messias pareceu tentar se reposicionar politicamente para fortalecer sua própria candidatura ao Supremo, gesto que irritou profundamente magistrados que até então o tratavam como aliado.

Nos bastidores, a avaliação é de que Messias acreditou que sua manifestação poderia gerar simpatia no Senado, onde buscava votos para a sabatina. O cálculo, porém, se mostrou equivocado: a aproximação artificial com parlamentares não rendeu ganhos concretos, enquanto a ruptura com ministros resultou em desgaste imediato. Em vez de ampliar apoio, Messias passou a ser visto como alguém disposto a explorar crises institucionais para benefício próprio.

O efeito prático foi um isolamento duplo. No STF, perdeu a confiança de nomes influentes, que interpretaram sua postura como traição política. No Senado, apesar do discurso público de defesa das prerrogativas legislativas, Messias não consolidou o apoio necessário para sua indicação avançar com segurança. Acabou sem amparo robusto em nenhum dos dois lados do tabuleiro.

Diante desse cenário, cresce no governo a impressão de que o indicado pode ter se precipitado. Sem respaldo firme no Supremo e sem base sólida no Senado, Messias tornou sua indicação mais vulnerável. Na leitura de auxiliares do Planalto, movimentos mal calculados podem levar o presidente Lula a considerar a troca do nome, buscando um candidato capaz de reduzir tensões e garantir aprovação mais previsível.

Folha de Brasília, da Redação

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil