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Lula tira o Brasil do centro das negociações com a UE e amplia risco de perda de mercados

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Lula tira o Brasil do centro das negociações com a UE e amplia risco de perda de mercados

A declaração do presidente Lula de que o Brasil “não vai insistir” no acordo Mercosul–União Europeia marca uma inflexão importante na política externa brasileira e revela um cansaço diplomático diante de uma negociação que se arrasta há mais de duas décadas. Ao sinalizar que o país pode abandonar a pressão pela conclusão do tratado, Lula expõe a distância entre o discurso de integração econômica e a prática de uma diplomacia que tem encontrado dificuldade em harmonizar interesses internos, ambientais e comerciais. A fala soa como gesto político, mas também como admissão de que o governo não conseguiu construir condições internas ou externas para destravar um acordo que exige concessões que o Brasil — ou o Mercosul — não parece disposto a fazer.

A desistência tácita, porém, traz implicações. O recuo ocorre em um momento em que outros blocos comerciais ampliam tratados, fortalecem cadeias produtivas e disputam mercados estratégicos. Ao retirar o Brasil do centro dessa negociação, o governo abre espaço para que outros países ocupem posições de vantagem. A União Europeia, por sua vez, endureceu suas exigências ambientais e regras de rastreabilidade, enquanto o Mercosul se mostrou dividido e pouco capaz de apresentar contrapartidas robustas. O resultado é um impasse que deixa o Brasil isolado em um cenário global que premia blocos flexíveis, competitivos e alinhados a agendas contemporâneas de sustentabilidade.

O gesto de Lula também revela um dilema doméstico: setores do agronegócio temem perder espaço para restrições ambientais impostas pela UE, enquanto segmentos industriais temem concorrência europeia sem proteção. Em vez de liderar um debate estratégico, o governo opta por relativizar a importância do acordo — uma postura que pode custar caro ao país. O Brasil precisa decidir se quer ser protagonista no comércio internacional ou se continuará refém de disputas internas que travam sua inserção global. Ao dizer que “não vai insistir”, Lula parece escolher a segunda opção.

Da redação, Folha de Brasília.

Foto:  Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil