A ideia de que dominar inteligência artificial é um diferencial competitivo entre jovens tem ganhado força, mas esse entusiasmo frequentemente encobre desigualdades profundas no acesso a formação tecnológica. Enquanto uma parcela minoritária consegue investir em cursos, equipamentos e tempo para aprender, grande parte da juventude depende de escolas públicas com recursos limitados e professores que, muitas vezes, não receberam capacitação adequada. Assim, o discurso do “diferencial” pode se transformar em mais um mecanismo de exclusão, reforçando disparidades já existentes no mercado de trabalho.
Além disso, a crença de que todo jovem deve dominar IA para ser empregável alimenta uma lógica produtivista que trata conhecimento como moeda e não como ferramenta de emancipação. Empresas, universidades e governos têm explorado essa narrativa para justificar a transferência da responsabilidade de qualificação para o indivíduo, ignorando a necessidade de políticas públicas robustas de formação tecnológica. O resultado é uma juventude pressionada a se adaptar a mudanças rápidas, sem garantias de que tais habilidades de fato se traduzirão em emprego digno e estabilidade.
Por outro lado, é inegável que a IA transforma setores econômicos e abre novas possibilidades de atuação, especialmente para jovens curiosos e engajados. Porém, para que o conhecimento em IA seja realmente um diferencial justo e acessível, é preciso democratizar a educação tecnológica e promover debates críticos sobre o impacto dessas ferramentas na sociedade e no mundo do trabalho. Só assim será possível construir um futuro em que a tecnologia sirva a todos — e não apenas aos já privilegiados.
Da redação, Folha de Brasilia
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