A decisão de Celso Sabino de deixar o comando do Ministério do Turismo encerra um período marcado por disputas políticas internas, resultados abaixo do esperado e desafios de articulação dentro do próprio governo. Indicado como parte do arranjo de distribuição de cargos com o centrão, Sabino assumiu o ministério com a promessa de fortalecer o setor, atrair investimentos e reorganizar programas estruturantes. No entanto, sua gestão foi frequentemente ofuscada por tensões políticas, críticas técnicas e dificuldades de implementar uma agenda consistente em uma pasta tradicionalmente utilizada como moeda de negociação entre partidos.
A saída também expõe o desgaste do modelo de governabilidade adotado pelo governo, que tenta equilibrar pressões do centrão com a necessidade de entregar resultados concretos. O Ministério do Turismo, que deveria ser eixo estratégico para impulsionar emprego, renda e desenvolvimento regional, acabou se tornando palco de disputas partidárias e foco de instabilidade. Com baixa execução orçamentária e pouca inovação em políticas públicas, a gestão Sabino deixa uma pasta sem direção clara e com projetos que avançaram pouco além do discurso.
Para o governo, a mudança representa mais do que uma troca administrativa: é um teste de capacidade de reorganização política e de compromisso com o setor. O turismo brasileiro, apesar do enorme potencial, segue subutilizado, com baixa competitividade internacional e falta de planejamento de longo prazo. A saída de Sabino oferece ao governo a chance de redefinir a prioridade da pasta, mas também expõe a fragilidade de um modelo que privilegia acordos políticos em detrimento de competência técnica. A pergunta que fica é simples: quem assume — e com qual mandato — para transformar o turismo em política de Estado, e não apenas em peça de barganha?
Da redação, Folha de Brasília.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil







