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Bolsonaro será ouvido pela PF sobre possível desvio de bens do Palácio da Alvorada

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Bolsonaro será ouvido pela PF sobre possível desvio de bens do Palácio da Alvorada

A decisão da Polícia Federal de interrogar o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre os bens encontrados no Palácio da Alvorada aprofunda o cerco jurídico em torno do ex-chefe do Executivo. A oitiva, marcada para 30 de dezembro, busca esclarecer a origem, o registro e o eventual desvio de itens que deveriam integrar o patrimônio público. O episódio soma-se a uma série de investigações que apontam para a gestão patrimonial irregular durante seu governo, reforçando a suspeita de que objetos de alto valor teriam sido incorporados de forma indevida ao acervo pessoal da família presidencial. A PF tenta estabelecer um padrão de conduta que, se comprovado, pode caracterizar apropriação indevida e uso privado de bens públicos.

O interrogatório ocorre em um momento extremamente sensível, com Bolsonaro já alvo de múltiplas frentes de investigação — das joias sauditas ao suposto esquema de presentes oficiais, passando por possíveis violações na transição governamental. A convocação evidencia que a estratégia de defesa baseada em vitimização política perde força diante do acúmulo de indícios materiais. Mesmo sem condenação, a insistência da PF em aprofundar esse caso mostra que há elementos suficientes para justificar uma apuração detalhada. A narrativa de perseguição, frequentemente utilizada por Bolsonaro e aliados, enfrenta dificuldade crescente para se sustentar diante do volume de evidências.

Além do impacto jurídico, o interrogatório tem peso político imediato. Com sua base dividida e desgastada, Bolsonaro entra no fim do ano enfraquecido e com riscos crescentes de novas medidas judiciais. A oitiva também pressiona aliados próximos e ex-assessores, que podem ser chamados a depor em sequência. Se confirmadas irregularidades, o caso dos bens do Alvorada pode se tornar mais um capítulo de uma crise que já compromete o legado do ex-presidente e reduz suas chances de recuperação política. Para um líder que sempre se apresentou como defensor da moralidade pública, explicar o destino de objetos do patrimônio nacional será mais do que uma questão jurídica — será um teste definitivo de credibilidade.

Da redação, Folha de Brasília.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil