Em meio ao cenário de alta nos preços do azeite, os mercados de São Paulo adotaram uma medida preventiva: o uso de lacres nos vidros dos produtos, visando evitar furtos. Em diversos supermercados de uma conhecida rede, essa proteção foi intensificada, refletindo o aumento do valor do produto.
A justificativa por trás dessa ação está na escassez de azeitonas, matéria-prima essencial para a produção do azeite, ocasionada pelas altas temperaturas e pela seca que assolam a Europa, lar dos maiores produtores de olivas. Essas condições climáticas adversas têm levado as árvores a produzirem menos frutos, impactando diretamente a disponibilidade do azeite no mercado.
Diante das prateleiras, consumidores se deparam com preços elevados e uma variação mínima entre as opções disponíveis. O azeite, outrora um item comum, tornou-se evitado por muitos devido ao seu custo. Dona Denise, ao se deparar com valores quase alcançando os R$ 50 por uma garrafa de meio litro, optou por não adquirir, juntando-se a outros que têm redirecionado sua preferência para óleos alternativos.
A situação reflete não apenas a realidade local, mas também um panorama global. A Europa, epicentro da produção de azeite, testemunhou uma queda significativa na colheita entre 2022 e 2023, com uma redução de 20%. Essa diminuição não está isolada, visto que a fabricação mundial do azeite reduziu cerca de 8% entre 2021 e 2022, conforme dados da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq – USP). Com a dependência do Brasil em relação às importações desse produto, especialmente de países como Portugal e Espanha, a escalada dos preços do azeite tornou-se uma realidade incontornável para consumidores e comerciantes.







