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Autonomia na Educação: Desafio e Risco de Desigualdade

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Autonomia na Educação: Desafio e Risco de Desigualdade

A visão de que a educação está cada vez mais centrada no sujeito reflete uma mudança significativa nas abordagens pedagógicas, mas também revela riscos e limitações de uma tendência que, em teoria, empodera estudantes. Ao colocar o aluno como protagonista do próprio aprendizado, muitas vezes se transfere para ele a responsabilidade de construir conhecimento sem fornecer estruturas adequadas ou apoio consistente. Na prática, isso pode aumentar desigualdades, privilegiando quem já dispõe de recursos, ambiente favorável e orientação familiar, enquanto outros ficam à margem.

Além disso, a ideia de “educação centrada no sujeito” nem sempre leva em conta a complexidade social e econômica que influencia o aprendizado. Professores e escolas acabam sobrecarregados com expectativas de motivar, orientar e suprir lacunas que deveriam ser amparadas por políticas públicas robustas. A autonomia do estudante é importante, mas precisa andar junto com formação crítica, acompanhamento pedagógico e acesso a recursos, caso contrário o conceito de protagonismo se torna apenas um discurso bonito, sem impacto real.

Por outro lado, iniciativas que estimulam a curiosidade, o pensamento crítico e a criatividade continuam sendo essenciais para preparar cidadãos ativos e conscientes. O desafio está em equilibrar essa autonomia com suporte institucional e social, garantindo que a educação seja de fato inclusiva e capaz de reduzir desigualdades. Só assim o protagonismo do sujeito deixa de ser promessa vazia e se transforma em oportunidade concreta de aprendizado e emancipação.

Da redação, Folha de Brasilia

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil