A nova operação da Polícia Federal contra descontos ilegais em benefícios de pensionistas do INSS expõe, mais uma vez, a fragilidade do sistema previdenciário diante de fraudes repetidas e da atuação de grupos que se aproveitam da vulnerabilidade financeira de idosos. O fato de que esse tipo de golpe se tornou recorrente evidencia não apenas a ação de quadrilhas especializadas, mas também a incapacidade do Estado de criar mecanismos eficientes de proteção ao segurado. A cada operação da PF, descobre-se uma engrenagem ainda mais sofisticada, que envolve associações fantasmas, empréstimos consignados forçados e cobranças automáticas que drenam a renda de quem depende do benefício para sobreviver.
A investigação também revela falhas graves na governança do INSS e dos bancos que operam consignados, que permitem a inclusão de descontos sem autorização explícita do beneficiário. Em um país que digitalizou a Previdência sem garantir segurança adequada para o usuário final, o resultado é previsível: sistemas frágeis, atendimento insuficiente e uma massa de idosos incapazes de entender — ou mesmo rastrear — de onde vêm cobranças indevidas. A operação da PF, embora necessária, funciona como resposta tardia a um problema estrutural que exige fiscalização contínua, transparência obrigatória e responsabilização severa das instituições financeiras envolvidas.
O impacto social dessas fraudes é profundo. Pensionistas e aposentados, muitas vezes com renda limitada ao salário mínimo, veem seu benefício encolher mês após mês, enquanto enfrentam burocracia para contestar descontos ilegais. A cada nova operação, o Estado reafirma que conhece o problema — mas ainda não o resolveu. Sem reforma dos sistemas de autorização, punição exemplar e canais de denúncia realmente acessíveis, o ciclo de abusos continuará. A PF atua na ponta; cabe ao governo impedir que o crime comece.
Da redação, Folha de Brasília.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil







