O Brasil ganhou o jogo como tinha que ser. Na medida que o gol não saía, a tensão aumentava e os jogadores brasileiros sentiram a pressão. Jogar futebol sem a total confiança faz com que as pernas fiquem pesadas e as jogadas, ao invés de saírem naturalmente, ficam previsíveis. Comparem a confiança e naturalidade do jogo de Neymar antes e depois do gol.
Neymar foi do inferno aos céus. O inferno durou 90 minutos. Se a Costa Rica fizesse o gol naquele contra ataque e vencesse o jogo, a carreira desse jogador seria abalada de tal forma que não saberíamos como ele se recuperaria. Ele é muito protegido, mimado e se comporta como se ainda tivesse 17 anos. No jogo , Neymar melhorou aquela frescura de reter a bola como fez contra a Suíça. Voltou ao jogo coletivo, como deve ser. A queda no pênalti deve ter sido sua última lição dessa copa. Esperamos que daqui para frente ele possa colocar o seu jogo e a sua cabeça no lugar.
Tite, diferente do jogo contra a Suíça, mexeu bem e na hora certa. Douglas Costa é mais agudo, mais incisivo e no segundo tempo o Brasil melhorou. Tite deve estar em dúvida com relação ao Paulinho. Não entrando na área adversária, ele não “tem bola” para articular jogadas. Fica no time pela sua estatura, pois a nossa zaga e os nossos laterais são baixos.
-
Ajuste
Com relação ao esquema de jogo, os atacantes de lado de campo , neste caso Neymar e William estão muito fixos pelos lados. Devem flutuar mais , trocar mais de posição. Nas eliminatórias contra a Argentina, Coutinho veio fazer o gol pelo lado esquerdo. Na época, jogavam Coutinho pela direita e Neymar pela esquerda. Os jogadores de lado de campo não ficavam fixos como a seleção tem jogado hoje.
2. Ajuste
Está faltando o bom e velho overlapping. Os laterais Fagner e Marcelo estão jogando por dentro e não existe a jogada de ultrapassagem para chegar à linha de fundo. Ou os laterais começam a ousar essa movimentação sem a bola, ou isso tem que ficar a cargo dos meias que, ao invés de ficarem esperando os repetidos passes por dentro , saiam do meio e comecem a ultrapassar em velocidade como faziam Cerezo, Falcão , Sócrates na seleção de 1982. Aquela seleção jogava com os laterais por dentro e sempre havia o overlapping dos meias.
É lógico que não há comparação com a de seleção de 1982, mas está faltando a ultrapassagem e o nosso técnico poderia incluir o videotape da seleção de Telê Santana na programação. Não temos mais os craques do passado , porém a execução do movimento poderá ser repetida.
João Henrique Padula, Folha de Brasília







