Uma operação policial foi deflagrada para desmantelar um grupo criminoso que manipulava mandados de prisão no sistema judicial. O esquema oferecia, mediante pagamento de cerca de R$ 3 mil, a “remoção” de mandados, beneficiando principalmente integrantes do Comando Vermelho. Em vez de excluir os documentos — o que é tecnicamente impossível — o grupo alterava dados no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) para que as ordens não aparecessem nas buscas, dificultando prisões e criando a falsa impressão de que o investigado estava em situação regular.
As investigações apontam que os criminosos utilizavam VPNs e credenciais de servidores obtidas de forma ilícita, permitindo acesso a sistemas restritos da Justiça. Há indícios de que o grupo ameaçava clientes com a emissão de novos mandados caso o pagamento não fosse concluído. Mandados de prisão e de busca estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, com prisões já efetuadas.
O caso expõe uma falha estrutural grave na segurança digital do Judiciário e evidencia como grupos organizados têm explorado brechas tecnológicas para favorecer criminosos e minar o trabalho policial. O episódio revela não apenas vulnerabilidade técnica, mas também riscos institucionais significativos, já que a manipulação de informações judiciais coloca em xeque a confiabilidade de todo o sistema penal.
Da redação, Folha de Brasília.
Foto:MCTI/divulgação







