A Operação Narco Bet, deflagrada pela Polícia Federal, representa um esforço ousado para desarticular um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro cujo elo com o tráfico internacional de drogas passava por apostas on-line. Segundo as investigações, os criminosos usavam empresas de bets como canal de entrada para recursos ilícitos, dissimulando sua origem por meio de criptomoedas e remessas internacionais. Foram cumpridos 11 mandados de prisão, apreendidos veículos de luxo e bloqueados mais de R$ 630 milhões em bens e valores.
A relevância da operação vai além das prisões. Ela escancara como plataformas aparentemente legais — muitas vezes reguladas ou toleradas — podem se transformar em instrumentos perversos de legalização de capitais ilícitos. Ao apontar as apostas on-line como meio de lavagem, o sistema de controle financeiro e regulatório do país é colocado em xeque: como permitir que canais de aposta funcionem como fachada para o narcotráfico? A operação demonstra que a regulação de plataformas digitais não é apenas um tema econômico, mas uma questão de segurança institucional e soberania nacional.
Entretanto, o sucesso da operação dependerá da continuidade. A Polícia Federal pode prender, confiscar bens e produzir manchetes, mas se o sistema legislativo não acompanhar — com regras claras sobre apostas, controles bancários e transparência das plataformas — novos esquemas surgirão com variantes mais sofisticadas. O combate ao crime financeiro não pode ser episódico. Se a Narco Bet for apenas mais um nome em uma lista de operações espetaculares, o país seguirá enxugando gelo e assistindo ao crime se reinventar sob o manto da legalidade digital.
Da redação, Folha de Brasília.
Foto: PF/Divulgação







