Foto: Roberta Aline/MDS
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Aumento do Bolsa Família e desinteresse pelo mercado de trabalho ganham espaço no debate

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Aumento do Bolsa Família e desinteresse pelo mercado de trabalho ganham espaço no debate

Roberto Campos Neto reacendeu uma discussão relevante entre economistas e empresários sobre os possíveis impactos do crescimento do programa social no Brasil e a retirada de pessoas do mercado de trabalho. Em sua participação no encontro anual de líderes econômicos em Jackson Hole, Wyoming, o presidente do Banco Central brasileiro abordou como as políticas monetárias estão influenciando – ou deixando de influenciar – a economia real, destacando o papel crescente do Bolsa Família.

Campos Neto, em seu discurso, analisou as razões para a desaceleração da inflação global, mencionando, entre outros fatores, os impactos do aumento do gasto público e da dívida. No caso brasileiro, ele enfatizou o crescimento significativo dos programas sociais, apontando que atualmente 56 milhões de brasileiros são beneficiados, superando o número de pessoas empregadas ou empreendedoras no país.

O aumento do Bolsa Família, que passou de um benefício mínimo de R$ 89 para R$ 600 desde a pandemia, levantou preocupações entre economistas sobre a possibilidade de o programa desestimular a busca por trabalho. O benefício agora representa quase metade do salário mínimo, o que poderia reduzir a oferta de mão de obra disponível.

A expansão do programa social foi acelerada durante a pandemia, quando o governo federal, em resposta aos impactos econômicos da crise, aumentou significativamente tanto o número de beneficiários quanto os valores pagos. No entanto, desde o início de 2023, o número de pessoas assistidas pelo programa começou a cair, refletindo uma possível revisão promovida pela atual administração.

Por fim, as mudanças no programa, incluindo a redução de beneficiários, sugerem que o governo Lula pode estar implementando um rigor maior na administração do Bolsa Família, ajustando a quantidade de pessoas que recebem o benefício em meio a uma contínua avaliação de seu impacto na economia e no mercado de trabalho.