Nesta terça-feira, 15 de agosto, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, expressou que devido ao cenário internacional, o Brasil emerge como uma “opção primordial” para um mercado cada vez mais interessado em produtos não apenas de alta qualidade e preço acessível, mas também ambientalmente sustentáveis.
Durante sua participação na conferência intitulada “O Empoderamento Estratégico e a Transformação Ecoindustrial do Brasil – Perspectivas, Potencial, Políticas Públicas e Privadas”, organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Brasília, Alckmin detalhou diversas razões que conferem ao país vantagens competitivas. Ele ressaltou que o Brasil já ocupa a quinta posição global em termos de atração de investimento direto.
O contexto ambiental, associado ao crescente reconhecimento, especialmente por parte das nações desenvolvidas, dos impactos prejudiciais ao clima, proporcionará vantagens inéditas para o Brasil e outros países com extensas áreas florestais em sua geografia, afirmou Alckmin.
“Anteriormente, a questão central era: onde posso fabricar com eficiência e baixo custo? Agora a pergunta é: onde posso fabricar com eficiência, baixo custo e a capacidade de compensar as emissões de carbono? Nesse ponto, o Brasil se destaca como a principal opção. Surgirá uma oportunidade significativa. Já ocupamos o quinto lugar no mundo em termos de atração de investimento direto, e esse potencial pode crescer consideravelmente. A ecoindustrialização representa exatamente essa conjunção entre inovação e sustentabilidade”, declarou o presidente em exercício.
CBA
Conforme as declarações de Alckmin, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), com mais de duas décadas de dedicação à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos a partir dos recursos da Amazônia, desempenhará um papel de destaque nesse cenário. Dentro do escopo de atuação desse centro, encontram-se alimentos, bebidas, medicamentos, cosméticos e produtos farmacêuticos. Além disso, o centro também se empenha na capacitação das comunidades tradicionais da região.
“Estamos implementando um novo modelo e um contrato de gestão com o CBA, visando a um avanço significativo no sentido de transformar a riqueza biodiversa da Amazônia em oportunidades de emprego e renda. Essa transformação inclui a conversão em patentes, negócios e produtos”, acrescentou Alckmin.
Ele enfatizou que, nos dias atuais, o mundo depende principalmente de três florestas tropicais situadas no Brasil, Congo e Indonésia, destacando a dimensão e importância da Floresta Amazônica como a mais extensa e vital entre elas.
Alckmin sublinhou que o governo tem sido ativo na continuação das tarefas permanentes de regularização fundiária e combate ao desmatamento. Outro ponto abordado pelo presidente em exercício é a descarbonização.
“Além disso, já alcançamos um êxito notável, o biodiesel. Durante o primeiro mandato do presidente Lula, foi lançado o B3, com a substituição de 3% do diesel por óleos vegetais, como soja, mamona, dendê, girassol ou gordura animal. Isso foi bem-sucedido, evoluindo para B7, B10, B13, com planos de chegar a B15, mas ocorreu uma redução para B10 no último ano, diminuindo a proporção de biodiesel no diesel. Agora, no corrente ano, retornamos a B12. O próximo passo é B13, avançando até B14 e, subsequente, B15 e, mais adiante, até B20”, relembrou.
O dirigente reiterou que o Brasil não importa mais óleo diesel, seguindo a estratégia de gradativamente substituí-lo por óleo vegetal produzido internamente, como é o caso do óleo de soja.
“O etanol também desempenha um papel fundamental. O veículo flex é uma realização nacional. Nossa gasolina contém 27% de etanol, e há planos para elevar essa proporção para 30%. Consequentemente, nossas emissões de gases poluentes são reduzidas. Se considerarmos todo o ciclo, desde a extração até o uso, o etanol puro é menos poluente até mesmo do que os carros elétricos, levando em conta o processo de fabricação das baterias e a energia utilizada nesse processo”, argumentou, ao reafirmar que o biodiesel e o etanol oferecem “vastas possibilidades” para o futuro do país.
“Globalmente, haverá uma transição do querosene de aviação para combustíveis sustentáveis, e o Brasil e os Estados Unidos se destacam nesse setor. Se nos dedicarmos à pesquisa e à inovação, poderemos estar à frente desse movimento”, acrescentou.







